eu escrevi um poema triste
e belo, apenas da sua tristeza.
não vem de ti essa tristeza
mas das mudanças do Tempo,
que ora nos traz esperanças
ora nos dá incerteza...
nem importa, ao velho Tempo,
que sejas fiel ou infiel...
eu fico, junto à correnteza,
olhando as horas tão breves...
e das cartas que me escreves
faço barcos de papel!
(mario quintana)
sexta-feira, março 20
quarta-feira, março 4
era uma noite quente. o lugar também era quente, as pessoas, as bebidas. eu continuava fria e azul acompanhada de sua ausente presença interminável.
partimos dali para o breu, onde tudo o que enxergava era o que minha imaginação produzia. não produzida era sua respiração que a cada minuto mais próxima se misturava com a minha. a sensação de duas bocas entreabertas e nada mais a ser dito.
pela primeira vez senti o amor surgindo. mais perto, tão perto... dentro de mim. manifestando-se no disparar do meu coração. força nova, cheia de vida e esperança. pela primeira vez. e tantas depois ele disparou de súbito. com você por perto, tão perto... dentro de mim.
partimos dali para o breu, onde tudo o que enxergava era o que minha imaginação produzia. não produzida era sua respiração que a cada minuto mais próxima se misturava com a minha. a sensação de duas bocas entreabertas e nada mais a ser dito.
pela primeira vez senti o amor surgindo. mais perto, tão perto... dentro de mim. manifestando-se no disparar do meu coração. força nova, cheia de vida e esperança. pela primeira vez. e tantas depois ele disparou de súbito. com você por perto, tão perto... dentro de mim.
sexta-feira, fevereiro 27
voltando a caminhar, dei meu primeiro passo. a rua continua escura e o excessivo silêncio chega a ser ensurdecedor. o som mais alto que ouço são as batidas descompassadas de meu coração. e a cada uma, meu medo diminui e minha segurança aumenta, simultaneamente. segurança esta que me faz andar, mesmo sem saber o que me espera no final. agora já dou passos mais velozes, meus olhos cerrados me guiam. minha cabeça e meu corpo, em perfeita sintonia, não lembram mais do que passou. só pensam nos meus passos nessa rua sombria, o resto já não importa. começo a correr, disparada, e de repente uma luz se acende, uma única luz que ilumina toda a cidade...
domingo, fevereiro 15
domingo, janeiro 18
os degraus
não desças os degraus do sonho
para não despertar os monstros.
não subas aos sótãos - onde
os deuses, por trás das suas máscaras,
ocultam o próprio enigma.
não desças, não subas, fica.
o mistério está é na tua vida!
e é um sonho louco este nosso mundo...
(mario quintana)
para não despertar os monstros.
não subas aos sótãos - onde
os deuses, por trás das suas máscaras,
ocultam o próprio enigma.
não desças, não subas, fica.
o mistério está é na tua vida!
e é um sonho louco este nosso mundo...
(mario quintana)
segunda-feira, janeiro 12
domingo, janeiro 4
este quarto...
este quarto de enfermo, tão deserto
de tudo, pois nem livros eu já leio
e a própria vida eu a deixei no meio
como um romance que ficasse aberto...
que me importa este quarto, em que desperto
como se despertasse em quarto alheio?
eu olho é o céu! imensamente perto,
o céu que me descansa como um seio.
pois só o céu é que está perto, sim,
tão perto e tão amigo que parece
um grande olhar azul pousado em mim.
a morte deveria ser assim:
um céu que pouco a pouco anoitecesse
e a gente nem soubesse que era o fim...
(mário quintana)
de tudo, pois nem livros eu já leio
e a própria vida eu a deixei no meio
como um romance que ficasse aberto...
que me importa este quarto, em que desperto
como se despertasse em quarto alheio?
eu olho é o céu! imensamente perto,
o céu que me descansa como um seio.
pois só o céu é que está perto, sim,
tão perto e tão amigo que parece
um grande olhar azul pousado em mim.
a morte deveria ser assim:
um céu que pouco a pouco anoitecesse
e a gente nem soubesse que era o fim...
(mário quintana)
segunda-feira, setembro 29
o livro de cabeceira
lá estava ela, na escuridão daquele quarto, onde alguns traços de luz cortavam sua pele
adentrei em seu mundo, sua vida, em meio a letras e cores
andando de um lado para o outro, homens, muitos deles, que só aguardavam, como um prisioneiro que espera por sua sentença de morte ou sua libertação
naquele cômodo do oriente, o tempo passava mais devagar, deslizando como a ponta de um pincel sobre os corpos
até o instante em que o relógio parou, entre símbolos e frases, entre diferentes texturas de pele humana, entre sons e silêncios...
sentei-me na mesa de madeira que suportava todo o peso da arte e adormeci
ao acordar estava de volta à minha cama ocidental, neste quarto frio de hotel e ao mundo daquela menininha, nunca mais retornei.
adentrei em seu mundo, sua vida, em meio a letras e cores
andando de um lado para o outro, homens, muitos deles, que só aguardavam, como um prisioneiro que espera por sua sentença de morte ou sua libertação
naquele cômodo do oriente, o tempo passava mais devagar, deslizando como a ponta de um pincel sobre os corpos
até o instante em que o relógio parou, entre símbolos e frases, entre diferentes texturas de pele humana, entre sons e silêncios...
sentei-me na mesa de madeira que suportava todo o peso da arte e adormeci
ao acordar estava de volta à minha cama ocidental, neste quarto frio de hotel e ao mundo daquela menininha, nunca mais retornei.
quinta-feira, agosto 14
quando eu nasci...
quando eu nasci
um anjo conselheiro
jogou-me de pára-quedas
em pleno mar de ipanema
e pediu-me para memorizar cada passo dado,
cada paisagem retratada em meus olhos
aconselhou-me viajar pelo mundo
e ouvir atentamente aos sons
dos lugares, dos seres
pois estes sempre tem histórias para contar
para a natureza me pediu cuidado e contemplação
para as pessoas, paciência e compreensão
veio uma onda e me levou
e fiquei assim então,
bebe chorão,
deitado na areia do posto nove.
um anjo conselheiro
jogou-me de pára-quedas
em pleno mar de ipanema
e pediu-me para memorizar cada passo dado,
cada paisagem retratada em meus olhos
aconselhou-me viajar pelo mundo
e ouvir atentamente aos sons
dos lugares, dos seres
pois estes sempre tem histórias para contar
para a natureza me pediu cuidado e contemplação
para as pessoas, paciência e compreensão
veio uma onda e me levou
e fiquei assim então,
bebe chorão,
deitado na areia do posto nove.
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